terça-feira, 24 de outubro de 2017

Parafilias


Índice


  1. Introdução

Segundo Abreu (2005), o comportamento sexual humano é divergente e determinado por uma combinação de vários factores tais como relacionamentos do indivíduo com os outros, a suas vivências e a sua cultura, sendo assim o que é normalidade sexual está relacionado ao facto de a sexualidade ser compartilhada com consentimento mútuo, sem carácter destrutivo de modo a que o indivíduo não entre em contradição com as regras da sociedade em que vive.
A sexualidade humana envolve várias actividades (pensamentos, fantasias, carícias, ente outras) e comporta várias fases (excitação, orgasmo, desejo e resolução).
Tal sexualidade quando satisfeita ou bem-sucedida pode influenciar no bem-estar do indivíduo e mal sucedida pode provocar disfunções ou transtornos a nível biopsicossocial.
O presente trabalho debruça se sobre as parafilias como um tema relacionado com a cadeira de Psicopatologia de desenvolvimento.
Tem como metodologia a revisão bibliográfica.

  1. Parafilias

Segundo Abreu (2005) a palavra parafilia etimologicamente é composta por duas palavras: para que significa paralelo, ao lado de e filia que significa amor ou apego a.
A APA (2013) classifica as parafilias como fazendo parte dos Transtornos de personalidade não especificados, pois esta categoria apresenta sintomas característicos de transtornos de personalidade que causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento biopsicossocial mas não satisfazem todos os critérios para qualquer transtorno de classe de diagnóstico dos transtornos de personalidade.
Sendo assim, a APA (2013) define o termo parafilia como sendo o interesse sexual intenso e persistente que não é voltado para a estimulação genital ou carícias preliminares com parceiros humanos que consentem e apresentam fenótipo normal e maturidade física ou ainda o termo parafilia define como qualquer interesse sexual maior ou igual a interesses sexuais normofilicos.
Abreu (2005), refere que a parafilia esta configurada quando há necessidade de se substituir a atitude sexual convencional por qualquer outro tipo de expressão sexual, sendo este substituto e como a única maneira de excitação sexual, configurando um padrão de conduta rígido, o qual, na maioria das vezes torna se numa compulsão opressiva que impede outras alternativas sexuais.
  1. Transtornos parafílicos

Segundo a APA (2013) o transtorno parafílico é uma parafilia que esta a causar sofrimento ou prejuízo ao indivíduo ou uma parafilia cuja satisfação implica dano ou risco de dano a outrem. Se difere da parafilia em si porque algumas parafilias são descritas como interesses sexuais preferenciais e por a parafilia ser uma condição necessária mas não suficiente para que se tenha um transtorno parafílico e não justifica uma intervenção clínica.
São necessários critérios que facilitam o diagnóstico como o critério A (natureza qualitativa da parafilia) e, critério B (consequências negativas), esta distinção entre transtorno e parafilia é dada nos critérios, para ser um transtorno o indivíduo precisa responder aos dois critérios.

A APA (2013) divide os transtornos em 3 classes:
  • Transtornos de namoro (porque se assemelham a componentes distorcidos do comportamento num namoro) - transtorno voyeurista, exibicionista e fotteurista.
  • Transtornos de algagonia (os quais envolvem sofrimento) - masoquismo sexual e sadismo sexual
  • Preferências por alvo anómalo transtorno pedofílico, tranvéstico e fetichista.
    1. Tipos de transtornos parafílicos

Em geral, os transtornos parafílicos são mais comummente vistos em homens, e o tipo de transtorno parafílico mais comum é a pedofilia.
      1. Exibicionismo

O exibicionismo dá se quando a pessoa mostra seus órgãos genitais a uma pessoa estranha, no geral em local público, e a reacção desta pessoa a quem pegou de surpresa lhe desperta excitação e prazer sexual, mas geralmente não existe qualquer tentativa de uma actividade sexual com o estranho. As pessoas baixam as calças em sinal de pretexto ou ataque a parceiros morais não são exibicionistas, pois não fazem isso com finalidade sexual.
Segundo a APA (2013), há critérios de diagnóstico para este transtorno:
  1. Por um período de pelo menos 6 meses, excitação sexual recorrente e intensa resultante da exposição dos próprios genitais a uma pessoa que não espera tal facto, conforme manifesto por fantasias, impulsos ou comportamentos;
  2. Os impulsos sexuais foram postos em prática sem a falta de consentimento de outrem e causam sofrimento clinicamente significativo que afecta a área social, profissional ou outras áreas relevantes.
Diagnóstico diferencial
O transtorno exibicionista segundo a APA (2013), podem ser comparados a transtornos comórbidos sendo assim há necessidade de determinar uma linha de separação:
Transtorno de conduta e personalidade anti-social
O transtorno de conduta em adolescentes e de personalidade anti-social são caracterizados por comportamentos adicionais como violação de normas e comportamentos anti-sociais, sem estar presente o interesse sexual.
Transtornos por uso de substâncias
Estes transtornos podem envolver episódios exibicionistas isolados por parte dos indivíduos intoxicados sem por isso haver interesse sexual típico de expor os genitais a pessoas sem o consentimento das mesmas. As fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais exibicionistas recorrentes ocorrem também quando o individuo não esta intoxicado.
      1. Fetichismo

O fetichismo traduz se na preferência sexual do indivíduo voltada para objectos, tais como calcinhas, sutiãs, luvas ou sapatos, sendo que a pessoa utiliza estes objectos para se masturbar ou exige que a parceira ou parceiro sempre use o objecto em questão durante o ato sexual, caso contrário não conseguiria excitar se e realizar o acto sexual.
Critérios de diagnóstico
Segundo a APA (2013):
  1. Por um período de pelo menos seis meses, excitação sexual recorrente e intensa resultante do uso de objectos inanimados ou de um foco específico em uma ou mais de uma parte não genital do corpo, conforme manifesto em fantasias, impulsos ou comportamentos;
  2. Fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou no funcionamento social, profissional ou em outras áreas relevantes;
  3. Os objectos do fetiche não se limitam a artigos do vestuário usados em travestismo ou a dispositivos criados para a estimulação genital.
Diagnóstico diferencial
Transtorno transvéstico
Conforme observado nos critérios diagnósticos, o transtorno fetichista não e diagnosticado em casos em que o fetiche se limite a artigos de vestuário usados exclusivamente durante o acto de se vestis como o outro sexo ou caso o objecto de estimulação genital tenha sido feito para esse fim.
Transtorno de masoquismo sexual ou outros transtornos parafílicos
Os fetiches podem ocorrer em simultâneo com outros transtornos sobretudo o sadomasoquismo. Quando o individuo tem fantasias sobre vestir se como o outro sexo ou se envolve em tais actividades, ou, ainda, atinge excitação sexual principalmente sob dominação ou humilhação associadas a tal fantasia ou actividade repetida, deve se fazer o diagnóstico sobre masoquismo.
Comportamento fetichista sem transtorno fetichista
O uso de um objecto de fetiche para excitação sexual na ausência de qualquer sofrimento ou prejuízo da função psicossocial ou de outra consequência adversa associada não atende aos critérios para transtorno fetichista, visto que o limite exigido pelo critério B não e atendido.
      1. Fetichismo transvéstico

É caracterizado pela utilização de roupas femininas por homens heterossexuais para se excitarem, se masturbarem ou realizarem o acto sexual, sendo que em situações não sexuais se vestem de forma normal.
Quando passam a vestir se como mulheres a maior parte de tempo, pode haver um transtorno de género, do tipo transexual por baixo dessa atitude. É importante ressaltar que o fetichismo transvéstico também só é diagnosticado como um transtorno de parafilia quando é feito de uma forma repetitiva e exclusiva para obter prazer sexual.
Critérios de diagnóstico
Segundo a APA (2013):
  1. Por um período de pelo menos seis meses, excitação sexual recorrente e intensa resultante de vestir se como o sexo oposto;
  2. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo e prejuízo nas áreas relevantes da vida do indivíduo.
Diagnóstico diferencial

Transtorno fetichista
Este transtorno pode assemelhar se ao transtorno transvéstico. Para distinguir o transtorno transvéstico tem que se ter em conta os pensamentos específicos do indivíduo durante tal actividade.
Disforia de género
Indivíduos com transtorno fetichista transvéstico não relatam incongruência entre o género sentido e o género designado nem desejo do outro género. Geralmente não tem história de comportamentos infantis transgénicos os quais estão presentes em indivíduos que apresentam disforia de género.
      1. Frotteurismo

É a atitude de um homem que para obter prazer sexual, necessita tocar e esfregar seu pénis em outra pessoa, completamente vestida, sem o consentimento dela, excitando-se e masturbando-se nessa ocasião. Isso ocorre mais comummente em locais onde há grande concentração de pessoas, como metros, autocarros e outros meios de locomoção públicos.
Critérios de diagnóstico
Segundo a APA (2013):
  1. Por um período de pelo menos seis meses, excitação sexual recorrente e intensa resultante de tocar ou esfregar se em alguém que não consentiu, conforme manifesto em fantasias, impulsos ou comportamento;
  2. Os impulsos sexuais foram postos em prática sem o consentimento da pessoa e estes impulsos causam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento biopsicossocial.
Diagnóstico diferencial
Transtorno de conduta e personalidade anti-social
São caracterizados por comportamentos adicionais de infringir de regra e anti-sociais, o interesse sexual por tocar ou esfregar se em alguém pode estar ausente.


Transtorno por uso de substâncias
Particularmente aqueles que estão relacionados ao consumo de cocaína e anfetaminas podem envolver episódios frotteuristas isolados, mas podem não envolver interesse sexual contínuo típico de esfregar se ou tocar em pessoas sem o respectivo consentimento. Os comportamentos frotteuristas podem não ser observados quando o individuo não esta intoxicado
      1. Pedofilia

Envolve pensamentos e fantasias eróticas repetitivas ou actividade sexual com crianças menores de 13 anos de idade. Está muito comummente associado a casos de incestos, ou seja, a maioria dos casos de pedofilia envolve pessoas da mesma família (pais/ padrastos com filhos e filhas). Em geral o ato pedofilico consiste em toques, carícias genitais e sexo oral, sendo e penetração menos comum. Hoje em dia, com a expansão de internet, fotos de crianças tem sido divulgadas na rede, sendo que olhar dessas fotos, de forma frequente e repetida com finalidade de se excitar e masturbar-se consiste em pedofilia.
Critérios de diagnóstico
Segundo a APA (2013):
  1. Por um período de pelo menos seis meses, fantasias sexualmente excitantes, impulsos ou comportamentos intensos recorrentes envolvendo a actividade sexual com crianças ou crianças pré-puberes;
  2. Estes impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento intenso ou dificuldades interpessoais.
  3. O indivíduo tem no mínimo 16 anos de idade e pelo menos cinco anos mais velho que a criança.
Diagnóstico diferencial
Muitos transtornos podem ser comórbidos.
Transtorno de personalidade anti-social
Este transtorno aumenta a probabilidade de uma pessoa que tenha uma atracção por principalmente o corpo humano maduro se aproxime sexualmente de uma criança, em algumas ocasiões com base na disponibilidade relativa. Outro sinais o individuo demonstra deste transtorno como o desrespeito recorrente as leis.
Transtornos por uso de substâncias
Os efeitos desinibidores da intoxicação podem aumentar a probabilidade de aproximação sexual a uma criança
Transtorno obsessivo-compulsivo
Alguns indivíduos se queixam de pensamentos e preocupações ego-distonicas acerca duma possível atracção por crianças. Os dados da entrevista clínica podem revelar ausência de pensamentos sexuais por crianças durante estados elevados de excitação sexual.
      1. Masoquismo e sadismo sexual

Existe masoquismo quando a pessoa tem necessidade de ser submetida a sofrimento, físico ou emocional, para obter prazer sexual, e o sadismo é quando a pessoa tem necessidade em infligir sofrimento (físico ou emocional) a um outro, e disso decorre excitação e prazer sexual. O mais comum ao se pensar em sadomasoquismo é associar o sofrimento a agressões físicas e torturas, mas o sofrimento psicológico também pode ser considerado forma de sadomasoquismo, e consiste na humilhação que se pode sentir ou impor. Actos sadomasoquistas só serão considerados parafilias quando forem repetitivos e exclusivos, sendo que quando eles ocorrem ocasionalmente dentro de um relacionamento sexual normal, são apenas formas alternativas de prazer e não uma perversão ou parafilia.
Critérios de diagnóstico
Segundo a APA (2013):
  1. Excitação sexual intensa e recorrente por um período de seis meses, resultante do acto de ser humilhado, espancado, amarrado ou vítima de qualquer outro tipo de sofrimento, conforme manifesto em fantasias, impulsos e comportamentos;
  2. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo nas áreas relevantes da vida do indivíduo. Pode se especificar seque pode ser com asfixifilia (excitação sexual por restrição da respiração).
Diagnóstico diferencial
Muitas das condições que podem ser diagnósticos diferenciais para o transtorno de masoquismo (fetichismo, sadismo sexual, hiperssexualidade e etc.) ocorrem por vezes como transtornos comórbidos. Assim e necessário avaliar cuidadosamente as evidencias, mantendo a possibilidade de outras parafilias ou outros transtornos mentais. O masoquismo sexual na ausência de sofrimento também pode ser incluído no diagnóstico diferencial, visto que as pessoas que apresentam os comportamentos podem estar satisfeitas com a sua orientação masoquista.
      1. Voyeurismo

Quando alguém precisa observar pessoas que não suspeitam estarem sendo observadas, quando elas estão a despir se, nuas ou no acto sexual, para obter excitação e prazer sexual, pode ser considerado voyeurismo.
Segundo Koch e Rosa (s /d) é importante ressaltar que essas condições só serão consideradas doenças quando forem a única forma de sexualidade do indivíduo, e que a tentativa dele em recorrer a outras formas de sexualidade para obter prazer sexual geralmente serão fracassadas, o que levara a pessoa a continuar insistindo na mesma atitude.
Koch e Rosa (s/d) referem que as parafilias decorrem de alterações psicológicas durante as fases iniciais do crescimento e desenvolvimento da pessoa. Em geral pessoas que apresentam tais problemas não buscam tratamento espontaneamente, o que só acontecerá quando seu comportamento gerar conflitos com o parceiro sexual ou com a sociedade. Sendo assim, tais pessoas aparecem em consultórios psiquiátricos trazidas contra sua vontade ou são presas por serem apanhadas ou denunciadas.
Critérios de diagnóstico
Segundo a APA (2013):
  1. Por um período de pelo menos seis meses, excitação sexual recorrente e intensa ao observar uma pessoa que ignora estar sendo observada e que esta nua, despindo se ou em meio a actividade sexual;
  2. O indivíduo colocou em prática esses impulsos sexuais com alguém sem o seu consentimento ou as fantasias, impulsos sexuais ou comportamento causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo em áreas relevantes da vida do indivíduo;
  3. O individuo que se excita e/ou coloca em pratica os impulsos tem no mínimo 18 anos de idade.
Diagnóstico diferencial
Transtorno de conduta e transtorno de personalidade anti-social
Estes transtornos são caracterizados por comportamentos anti-sociais e contra as normas, e o interesse sexual específico de observar alguém deve estar ausente.
Transtornos por ingestão de substâncias
Estes transtornos podem envolver episódios voyeuristas isolados em indivíduos intoxicados, mas não devem envolver observação de pessoas que estão nuas ou em actividade sexual e os impulsos, fantasias ou comportamentos podem não ser observados quando o individuo não esta intoxicado.
O tratamento é a única saída, mas não é específico. Não há cura porque não tem efectividade segura, seja farmacológica ou psicoterapêutica. Contudo, o indivíduo consegue viver com ela, podendo reduzi-la em frequência e intensidade, e assim controlar sua compulsão, eventualmente até fazendo-a desaparecer com o passar dos anos.


  1. Conclusão

As parafilias são problemas que afectam significativamente a vida do individuo a nível biopsicossocial tornando possível através de tais disfunções o desenvolvimento de transtornos a nível da personalidade como o caso dos transtornos parafilicos, que foi possível notar que estes quando não controlados podem causar dano.
Há transtornos parafilicos que ninguém percebe que a pessoa tem e outros que tem perfil de psicopatas. A pedofilia é um transtorno cuja prática é um crime. A satisfação sexual do indivíduo, na pedofilia, é um crime, no entanto, se ela ocorre só na cabeça do indivíduo, se o indivíduo consegue controlar e apenas vê em imagens e revistas sobre crianças, aí não constitui um crime.
É tarefa do psicólogo conhecer melhor tais disfunções para que este possa intervir e melhorar a qualidade de vida do sujeito.


  1. Referências bibliográficas

  • Abreu.P.I (2005). Delito sexual. Consultado em 12 de Agosto de 2015, em Portal dos psicólogos: www. psicologia.com.pt
  • Koch. S. A & Rosa. D.D (s/d). Disfunção sexual. Consultado em 25 de Julho de 2015, em: www.abcdasaude.com.br
  • Associação de Psicólogos Americanos (2013).Manual de diagnóstico estatístico de transtornos mentais. 5ª Edição. Artmed editora.





sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cultura Africana e Comportamento Organizacional


1. Introdução

As organizações são um conjunto de pessoas que juntam esforços para alcançar um certo objectivo, e dentre as varias pessoas cada um tem um jeito característico de se comportar, tendo dessa forma que se adaptar um comportamento padrão ou seja um jeito universal de se comportar.
O trabalho em causa é realizado no âmbito da disciplina de Perspectivas Africanas dos Fenómenos Psicológicos e tem como foco a cultura africana e o comportamento organizacional.
Para delimitar o rumo deste trabalho traça-se o seguinte como objectivo geral compreender a relação entre a cultura africana e o comportamento organizacional e como objectivos específicos discutir os conceitos de cultura, comportamento e comportamento organizacional, explicar a relação existente entre a cultura africana e o comportamento organizacional e Identificar o impacto da cultura africana no comportamento organizacional.
Como procedimento metodológico, foi usada a pesquisa bibliográfica em livros, artigos e revistas científicas com vista a verificar o que já foi publicado sobre o tema referido e a discussão grupal para dar um sentido lógico aos conteúdos.
Pode encontrar-se neste trabalho a discussão dos conceitos chaves para melhor compreensão do tema, uma breve apresentação da cultura africana, alguns indicadores do comportamento organizacional a relação existente entre o comportamento organizacional e cultura africana.

2. Discussão de conceitos

2.1. Cultura

Significações transmitidas historicamente e veiculado por símbolos, um sistema de representações herdado das gerações precedentes e expresso sobre formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam-se, perpetuam e desenvolvem os seus conhecimentos e as suas atitudes para com a vida, (Geertz, 1973 apud Neto 2002, p.14).
A cultura consiste em padrões de comportamento socialmente transmitidos que servem para adaptar as comunidades ao seu modo de vida (tecnologias, modo de organização económica, padrões de agrupamento social, organização política, crenças, práticas religiosas, etc.).

2.2. Cultura Africana

O Homem africano, à semelhança de outros homens, é um ser predominantemente cultural, graças à cultura, ele superou suas limitações orgânicas. A cultura africana reflecte a sua antiga história, sendo tão diversificada como foi o seu ambiente natural ao longo dos tempos. O continente africano é o território habitado há mais tempo, (supõe-se que foi neste continente que a espécie humana surgiu; os mais antigos fósseis de hominídeos encontrados na África, concretamente na Tanzânia e Quénia) têm cerca de cinco milhões de anos. Sendo o continente mais antigo do planeta e a sua evolução agregou uma enorme quantidade de idiomas com mais línguas, religiões, regimes políticos condições de habitação, actividades económicas e de cultura (Krauss & Rosa ,2007).
O homem africano conseguiu sobreviver através dos tempos com um equipamento biológico relativamente simples.
O povo africano foi sempre considerado um povo sem cultura, primitivo, bárbaro ou seja verdadeiros animais e essa visão só foi alterada quando os primeiros países africanos conseguiram sua independência realizando desde então esforços necessários para recuperar a sua cultura (Krauss & Rosa, 2007).
A maior parte da cultura africana foi transmitida oralmente e a história de seus povos foi contada pelos colonizadores europeus, através de missionários, viajantes, e colonizadores que trouxeram relatos sobre a vida e os costumes dos povos aqui residentes.
No continente africano, a cultura é todo o complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos. O homem age de acordo com os seus padrões culturais, ele é resultado do meio em que foi socializado, neste sentido cultura africana é caracterizada pela diversidade de hábitos, costumes, valores e padrões de comportamento e ainda por basear-se nos costumes e tradições (Krauss & Rosa ,2007).


2.3. Comportamento Organizacional



Chiavenato (1999), define comportamento organizacional como sendo o estudo da dinâmica das organizações e como os grupos e pessoas se comportam dentro delas. É uma ciência interdisciplinar. Como a organização é um sistema cooperativo racional, ela somente pode alcançar seus objectivos se as pessoas que a compõe coordenarem seus esforços a fim de alcançar algo que individualmente jamais conseguiriam (Beckard, 1972).
Na mesma linha de pensamento, Araújo (2001), acrescenta referindo que comportamento organizacional é um campo da pesquisa que ajuda a prever, explicar e possibilitar a compreensão de comportamentos nas organizações.
Wagner III e Hollenbeck (1999) citados em Siqueira (2002) entendem-no como uma disciplina que busca prever, explicar, compreender e modificar o comportamento humano no ambiente empresarial.

3. Níveis do comportamento organizacional

Para a análise e compreensão do comportamento organizacional, Robbins (1999) citado em Siqueira (2002) propõe um modelo básico composto por três níveis propondo quais variáveis são de interesse de cada um nomeadamente:
  • Nível individual: neste nível o autor arrola as variáveis biográficas, de personalidade, valores, atitudes e habilidade, pois estas influenciam os processos psicológicos de percepção, motivação e aprendizagem individuais que, por sua vez, afectam o processo de tomada de decisão individual.
  • Nível dos grupos e equipes de trabalho: neste nível a análise é representada no modelo por interacções bidireccionais entre os processos de tomada de decisão grupal, comunicação, liderança, conflito, poder, política, estrutura de grupo e equipes de trabalho.
  • Nível da organização: neste nível o autor relaciona temas como cultura, políticas e práticas de recursos humanos, estrutura e dimensionamento da organização, bem como tecnologia e dimensionamento do trabalho.
Robbins (1999) citado em Siqueira (2002) aponta como resultado do comportamento organizacional a produtividade, o absenteísmo, a rotatividade e a satisfação resultantes da interdependência entre as variáveis integrantes dos níveis de análise individual, grupal e organizacional.


Robbins (2005) coloca que os objectivos do estudo sob comportamento organizacional seriam: explicar, prever e controlar o comportamento humano. Explicar ocorre após o acontecido, por isso explicar no sentido de entender as causas que levam ou levaram a pessoa a se comportar daquela maneira.
Prever está ligado a eventos futuros e, portanto, o estudo do comportamento permite se antecipar aos tipos de comportamento que possam ser apresentados a uma mudança.
Pode-se avaliar o tipo de reacção que os colaboradores teriam a uma tomada de decisão.
Controlar é o objectivo mais controverso no emprego do conhecimento do comportamento humano, na medida em que esse controle não deve ser manipulativo ou ferir a liberdade individual, no entanto, deve-se utilizar o controle de forma ética, e assim permitir que se possa compreender por exemplo, como fazer para levar as pessoas a se esforçarem mais em seu trabalho.
Numa análise profunda do grupo, verifica – se que os conceitos acima apresentados evidenciam os comportamentos dos indivíduos de forma coordenada e complementar que visa atingir um objectivo comum e individual. Segundo Dubrin (2006), esse conjunto de comportamento ocorre de forma grupal, podendo ser grupos de pequena, média e longa dimensão.


4. Relação da Cultura Africana e Comportamento Organizacional

O comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo chamado endoculturação ou socialização. Pessoas de raças ou sexos diferentes têm comportamentos diferentes não em função de transmissão genética ou do ambiente em que vivem, mas por terem recebido uma educação diferenciada. Assim, pode-se concluir que é a cultura que determina a diferença de comportamento entre os homens.
Baseando-se na teoria vigotskyana percebe-se que para compreender o comportamento humano em todos os níveis é imperioso, antes de mais nada que se estude e se pesquise a história sócio -cultural dos indivíduos em causa. Essa visão transporta consigo a noção da importância da cultura na compreensão dos comportamentos quer de indivíduos quer de grupos (Marchiori, 2006).

O comportamento organizacional e social em contexto africano, pode ser explicado com base na cultura destes. As crenças, os valores, as percepções, a visão e as tradições africanas jogam um papel fundamental e crucial nos comportamentos dos indivíduos e de grupos (Marchiori, 2006). Deste modo, Krauss & Rosa (2007), defendem que o comportamento organizacional sofre influência da cultura onde a organização está inserida.
Não há dúvidas de que as organizações localizadas nos territórios africanos, têm uma relação directa das sociedades circunvizinhas, deste modo, há uma comparticipação das tradições, das crenças e dos valores culturais destas. Por outro lado, as organizações são sistemas abertos, com isso, recebe muitos estímulos externos que tem impacto directo no comportamento (Krauss & Rosa, 2007).

Devido a natureza da cultura africana, as organizações inseridas em África tomam características próprias que as distinguem de outras organizações localizadas fora da África. Assim, o comportamento organizacional em África, como um campo de estudo das dinâmicas de comportamentos de indivíduos e grupos em contextos de trabalho, tem una natureza característica e própria.
Contudo, para compreender o comportamento organizacional e as dinâmicas ocorridas nas organizações nas culturas africanas, é preciso que se tenha em mente os valores culturais dessas sociedades.

5. Relação tema-cadeira

Tendo a disciplina de Perspectivas Africanas e dos Fenómenos Psicológicos como objectivo compreender os comportamentos desviantes sob o conhecimento colectivo da comunidade e sendo uma organização no contexto africano, para maior adaptabilidade ao meio, esta tem a necessidade de se adequar aos hábitos, costumes, crenças do local na qual esteja inserida, criando assim uma cultura interna que tome em consideração a cultura local e os objectivos traçados pela organização de modo a que não haja grande disparidade na vivência do trabalhador no que se refere a cultura experienciada no seu contexto formal e informal. O tema se relaciona à cadeira na medida em que estuda-se a visão africana dos fenómenos psicológicos nesta e o comportamento organizacional estuda o comportamento humano dentro das organizações.

6. Conclusão

Neste trabalho abordou-se o tema Cultura Africana e Comportamento organizacional e conclui- se que a cultura africana faz-se sentir nas organizações pelo facto de estarem em África e de que as organizações devem ajustar-se a cultura onde estão inseridas porque cada integrante duma organização tem suas crenças, valores e hábitos mas essas características não devem influenciar negativamente as organizações.
Tendo cumprido com os objectivos traçados no inicio do trabalho, concluímos que as organizações não devem ser instituições fechadas e restritas a cultura africana porque é esse conjunto de significações transmitidas historicamente e veiculado por símbolos que fará com que as organizações estejam adequadas a comunidade e ao contexto em que estiverem inseridas.
Este trabalho foi muito importante pois foi a partir do mesmo que foi possível compreender melhor que devido a natureza da cultura africana, as organizações inseridas em África tomam características próprias que as distinguem de outras organizações localizadas fora da África tendo cada, um toque seu embora estando inseridas num único contexto.

7. Referências Bibliográficas:


  1. Araujo, L. S. G. (2001). Organização, Sistemas e Métodos e as modernas ferramentas de gestão organizacional: arquitetura, benchmarking, empowerment, gestão pela qualidade total, reengenharia. São Paulo: Atlas
  2. Beckard, R. (1972). Desenvolvimento Organizacional: estratégias e métodos. São Paulo: Edgard Blücher
  3. Chiavenato, I. (2005). Comportamento Organizacional: A Dinâmica do Sucesso das Organizações. Campus. Dispunível em: http://culturapopular2.blogspot.com/2010/03/os-africanos.html, acesso no dia 01 de 10 de 2012.
  4. Dubrin, A. J. (2006). Fundamentos do Comportamento Organizacional. São Paulo: THomson
  5. Krauss, J. S. & e Rosa, C. da (2007). A importância da temática de História e Cultura Africana e Afro-brasileira nas escolas
  6. Lobos, J. A. (1978). Comportamento Organizacional: literaturas selecionadas. São Paulo: Atlas
  7. Marchiori, M. (2006). Cultura e Comunicação Organizacional: um olhar estratégico sobre a organização. São Caetano do Sul : Difusão.
  8. Neto, F. (2002). Psicologia Intercultural .Universidade Aberta: Lisboa
  9. Robbins, S. P. (2005). Comportamento organizacional. Sao Paulo: Pearson Education.
  10. Siqueira, M. M. (2002). Medidas do Comportamento Organizacional. São Paulo: Universidade Metodista.

     Autores: 
    Ancha Berta
    Bianca Claudia
    Delto C. Muendane
    Justina Tamele 
    Elcidia Chilaúle
    Luísa Tembe, 2017


Em Destaque

As Amizades Tóxicas

Sabem por quê as nossas mães não tem amigas? É algo simples!  Quando uma mulher vai ao lar, ela deve se afastar de muita coisa assim...